terça-feira, 26 de março de 2013

O dia em que Kurt Cobain morreu

O dia em que Kurt Cobain morreu
não sei qual foi.
Não havia Internet,
nem se sabia o que eram telemóveis.
Não era preciso.
A camioneta levava-nos até à vila.
A carreira trazia-nos para casa.
quilómetros feitos, centenas de metros caminhados.
À noite era-se esperado, e nada mais...
Ao almoço comia-se pizza, sopa ou pão.
E quando quem era esperado não vinha,
voltava-se à vila, ia-se aos bares,
bebia-se shots e café,
perdiam-se os neurónios da infância,
acolhiam-se os neurónios da adolescência...
Não havia medo. O mundo pertenciam-nos.
Naquelas horas entre a camioneta nos levar e a carreira nos trazer.
Naquelas horas entre a camioneta nos levar e a carreira nos trazer,
tínhamos coragem. Era tempo de viver.
Hora de aprender, altura de Crescer.
No tempo em que o Kurt Cobain viveu,
vestíamos a camisa do pai e a camisola do avô.
No tempo em que Kurt Cobain cantou,
éramos rebeldes e tristes mas felizes.
No tempo em que não havia telemóvel, nem Internet,
os pais tinham coragem e deixavam-nos viver.
Agora não há coragem, agora não há rebeldia,
nem vivência. Agora há medo.
Agora há telemóveis,
Não é como o dia em que o Kurt Cobain morreu.